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Table of Contents
                            Agradecimentos
Introdução
1. A herança do Império Romano e da cristianização
2. De Carlos Magno à feudalidade
3. O impulso da moeda e do dinheiro na virada do século XII para o século XIII
4. O próspero século XIII do dinheiro
5. Trocas, dinheiro, moeda na revolução comercial do século XIII
6. O dinheiro e os Estados nascentes
7. Empréstimo, endividamento, usura
8. Riqueza e pobreza novas
9. Do século XIII ao século XIV, o dinheiro em crise
10. O aperfeiçoamento do sistema
11. Cidades, Estados e dinheiro no fim da Idade Média
12. Preços, salários e moeda nos séculos XIV e XV
Anexo: Existiu na Idade Média um mercado da terra?
13. As ordens mendicantes e o dinheiro
14. Humanismo, mecenato e dinheiro
15. Capitalismo ou caritas ?
Conclusão
Bibliografia
Índice onomástico
                        
Document Text Contents
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Jacques Le Goff
A Idade Média

e o dinheiro
Tradução de
Marcos de Castro

1ª edição

Rio de Janeiro | 2014

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assumiam às vezes riscos importantes, mas sobretudo em que os bancos estavam sob a pressão do
poder político da Santa Sé e dos príncipes, na obrigação de lhes conceder empréstimos de longo
prazo não reembolsáveis e onerando cada vez mais suas reservas. Falência por exemplo foi o caso
desde 1294 dos Riccardi, de Lucca, na Toscana, dos Ammanati e dos Chiarenti, de Pistoia, também
na Toscana, mas principalmente dos Bonsignori, de Sena, ainda uma vez na Toscana, em 1298.
Quanto às companhias florentinas, como as dos Bardi, a dos Peruzzi e a dos Acciajuoli, arruinadas
pelas exigências dos que lhes tinham feito empréstimos — os reis de Inglaterra preparando a Guerra
dos Cem Anos e os papas de Avignon construindo seus soberbos palácios —, arruinaram-se num
verdadeiro crack em 1341.

Notas:
1. Lester K. Little, Religious Poverty and the Profit Economy in Medieval Europe [Pobreza religiosa e economia de

proveito na Europa medieval], Paul Elek Ltd, Londres, 1978.
2. O grande historiador do século XX da pobreza medieval foi Michel Mollat. Os estudos apresentados em seu seminário

foram editados sob sua direção em 1974 nas Publications de la Sorbonne sob o título Études sur l’histoire de la pauvreté, 2º vol.,
e ele próprio foi autor de uma notável síntese, Les Pauvres au Moyen Âge, Paris, Hachette, 1978.

3. Dedicarei mais adiante um capítulo especial sobre a ligação entre as ordens mendicantes e o dinheiro (Cf. Capítulo 13).
4. Sobre Pierre de Jean Olivi, ler o livro organizado por Alain Bourreau e Sylvain Piron, Pierre de Jean Olivi, pensée

scolastique, dissidence spirituelle et société [Pierre de Jean Olivi, pensamento escolástico, dissidência espiritual e sociedade],
Paris, Vrin, 2000, e a tradução do De contractibus, por Sylvain Piron. De Sylvain Piron também se deverá consultar o artigo
“Marchands et confesseurs, le Traité des contracts de Olivi dans son cotexte (Narbonne, fim do século XIII, início do século
XIV)” em L’Argent au Moyen Âge, Publications de la Sorbonne, 1998, pp. 289-308.

5. O “Liber contractuum” dei Frati Minori di Padova e di Vicenza (1263-1302), publicado por E. Bonato, Roma, Viella,
2002. Ver a esse respeito o artigo de André Vauchez “Francescanesimo veneto. A proposito del ‘Liber contractuum’”, em Il
Santo, 2003, pp. 665-670.

6. O francês Pierre de Jean Olivi, mais conhecido apenas como Pierre Olivi (ou Pierre Olieu, 1248-1298), veio a ser acusado
falsamente de iluminismo, segundo o Grand Larousse Encyclopédique, mas teve oportunidade de se justificar. Depois da morte,
alguns devotos o honraram como a um santo, mas quando João XXII opôs-se aos assim chamados espirituais e em 1326
condenou uma outra obra de Olivi, Exposição do Apocalipse, suas cinzas foram dispersadas. Há entretanto os que o situam
entre os melhores mestres franciscanos. O iluminismo, explique-se, é uma doutrina metafísica e mística fundamentada na crença
em uma iluminação inspirada diretamente por Deus (sempre segundo o Larousse). (N. do T.)

7. Ver o Capítulo 15, “Capitalismo ou caritas?”.
8. No contrato de commenda puro e simples, um comanditário adianta a um comerciante itinerante o capital necessário para

uma viagem de negócios. Se há perda, aquele que emprestou tem de arcar com todo o prejuízo financeiro do empréstimo,
enquanto aquele que pediu emprestado arca apenas com a perda do valor de seu trabalho. Se há ganho, o emprestador que ficou
em casa é reembolsado e recebe uma parte dos benefícios, em geral as três quartas partes. Nessa commenda, para a qual as
denominações de societas ou collegantia são mais apropriadas, o comanditário que não viaja adianta os dois terços do capital
enquanto o que pede o dinheiro contribui com um terço do capital e com o seu trabalho. Se há perda, é dividida proporcionalmente
em relação ao capital investido. Se há ganho, os benefícios são divididos pela metade. Em geral, esse contrato era feito por uma
viagem. Podia especificar a natureza e a destinação do empreendimento ao mesmo tempo que suas condições — por exemplo, a
moeda na qual seriam pagos os benefícios — ou deixar toda a liberdade de ação a quem tinha feito o empréstimo, que, com o
tempo, cada vez adquiria mais independência. Eis o texto de um desses contratos efetuado em Gênova: “Testemunhas: Simone
Bucuccio, Ogerio, Peloso, Ribaldo di Sauro e Genoardo Tosca. Stabile e Ansaldo Garraton formaram uma societas, para a qual,
segundo suas declarações, Stabile entrou com uma contribuição de 88 liras, e Ansaldo de 44 liras. Ansaldo leva esse capital, para
fazê-lo frutificar, a Túnis, ou a qualquer lugar onde precise ir de navio no qual ele embarcará — a saber o navio de Baldizzone
Grasso e de Girardo. Ao voltar, encaminhará os benefícios a Stabile ou a seu representante para a partilha. Feita a dedução do
capital, dividirão os proveitos meio a meio. Feito na casa do Capítulo, a 29 de setembro de 1163.” Finalmente, Stabile dá
autorização a Ansaldo para que envie esse dinheiro a Gênova pelo navio que ele escolher.

9. Somos bem informados quanto a essa atividade de empréstimo e de crédito, principalmente no meio desses banqueiros
chamados lombardos, graças às pesquisas e às publicações do Centro studi sui Lombardi e sul credito nel medioevo, criado em
Asti no fim do século XX. Ver em particular Credito e società: le fonti, le techniche e gli uomini, secc. XIV-XVI, 2000;
Politiche del credito. Investimento, consumo, solidarietà, 2004; Prestito, credito, finanza in età basso-medievale, 2007. Esse
centro durante muito tempo foi dirigido por Renato Bordone, professor da Universidade de Turim, ele mesmo responsável pela
publicação de importantes trabalhos sobre a atividade dos lombardos. O fenômeno do endividamento assume uma importância tal

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que a justiça real francesa criou um delito que levava à prisão do Chatelet por questões de dívidas feitas em Paris. A punição por
dívida assume grande importância no fim da Idade Média e vai além do reino da França. Foi objeto de um estudo coletivo sob a
direção de Julie Claustre, La Dette et le Juge [A dívida e o juiz], abrangendo a França, a Itália, a Espanha, a Inglaterra e o Sacro
Império, do século XIII ao século XV, Paris, Publications de la Sorbonne, 2006.

10. Ver Capítulo 10.

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A idade média e o dinheiro

http://www.skoob.com.br/livro/376977-a-idade-media-e-o-dinheiro

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