Download O Livro De Ouro do Zen (A Sabedoria Milenar E Sua Prática) - David Scott & Tony Doubleday PDF

TitleO Livro De Ouro do Zen (A Sabedoria Milenar E Sua Prática) - David Scott & Tony Doubleday
File Size11.4 MB
Total Pages143
Document Text Contents
Page 2

O LIVRO DE OURO DO ZEN
DAVID SCOTT & TONY DOUBLEDAY


Se uma jóia cair no lago, muitas pessoas cairão na agua a fim de recuperá-la, agitando-
a até que se torne turva. O homem sábio espera que a água se acalme de modo que a
jóia venha a brilhar naturalmente, por si própria."
Os princípios do Zen obedecem a essa mesma lógica. Se você tentar absorvê-los sem
enveredar pelo caminho do raciocínio intelectual, eles brilharão, e você alcançará o que
estava buscando.
É o que mostram David Scott eTony Doubleday neste Livro de Ouro do Zen. De maneira
clara e acessível, eles aproximam o leitor ocidental desta milenar sabedoria espiritual,
relatando suas origens históricas, práticas de meditação, ensinamentos dos grandes
mestres e enfocando o Zen na vida cotidiana.
Este título faz parte da coleção LIVROS DE OURO, série inaugurada com O Livro de Ouro
da Mitologia, de Thomas Bulfinch.



Quando sentar, apenas sente, Acima de tudo, não vacile."
(Mestre Zen Umon - século X)


O que é o Zen, como surgiu e se desenvolveu, e sua prática hoje são alguns dos
aspectos abordados neste livro. Seus autores, David Scott e Tony Doubleday, alertam,
entretanto, que a filosofia Zen não pode ser absorvida exclusivamente através de
leitura. É preciso a experiência direta para que o Zen possa ser compreendido de fato.
Até porque se trata de uma tradição baseada em princípios que não podem ser
provados por meio de argumentos intelectuais.
O Zen é uma disciplina do corpo e da mente que exige grande esforço, perseverança e
fé. Tanto na possibilidade da Iluminação, como na capacidade de alcançá-la. Scott e
Doubleday reúnem histórias, koans (paradoxos que não podem ser solucionados pelo
pensamento racional), narrativas de mestres e textos clássicos, com a finalidade de
permitir ao leitor obter um insight da essência do Zen.

Os métodos de treinamento desenvolvidos desde o tempo de Bodhidharma, há 1500
anos, também são relatados neste livro, que fornece ainda uma orientação para a
prática do Zen, com ênfase nos grandes benefícios que esta proporciona ao corpo e ao
espírito. Enfocando aspectos como a meditação, a alimentação, as artes marciais, os

Page 72

A primeira etapa do Zazen é desenvolver o Joriki, seja contando as respirações,
conforme já foi explicado, ou por meio de qualquer outro método, como, por exemplo,
trabalhando um koan ou concentrando-se para manter a postura. Isto faz a atenção
penetrar na avaliação de cada momento da experiência. Sentado imóvel desta maneira,
a mente pode se pôr em ordem e a consciência expandir-se para além das
preocupações mesquinhas do ego, e podemos experimentai uma certa harmonia
original entre mente, corpo e natureza. A medida que relaxamos nossa influência sobre
as opiniões da mente e as tensões dentro do corpo, a consciência torna-se aguda e
lúcida, a respiração calma e profunda. Com o passar do tempo, começamos a
desenvolver uma forte sensação de paz interior e poder. Através do Joriki, começamos
a avaliar a relação entte mente e corpo, e a importância da postura do Zazen. O Roshi
Suzuki disse:


A posição expressa a unidade da dualidade: não são dois, e não é um... Corpo e mente não são
dois nem um. Se você pensa que corpo e mente são dois, está errado; se pensa que são um,
também está errado; nosso corpo e mente são ambos dois e um. Normalmente, pensamos que, se
alguma coisa não é una, deve ser mais de uma; se não é singular, é plural. Porém, na
experiência real, nossa vida não é apenas plural, mas também singular. Cada um de nós é
dependente e independente.


Para realizar o Joriki, temos de praticar o Zazen e, inicialmente, poderemos sentir mal
jeito ou desconforto para manter a espinha reta e os joelhos no chão. Podemos até ser
perdoados por concluirmos que as posturas recomendadas são especificamente proje-
tadas para produzir dor! Na maioria, quando defronta com o desconforto físico, a
mente começa a procurar uma forma de escapar e a tentação é ficar irrequieto ou
mudar de posição. Quase sempre temos um limite para a paciência, quando aparece a
dor, pois vivemos na expectativa de que não devemos experimentá-la. Entretanto, a
conseqüência natural de ter um corpo é que qualquer posição se torne desconfortável,
se mantida por muito tempo. Assim sendo, apesar de não haver razão deliberada para
provocar desconforto na postura do Zazen, não podemos evitá-la tampouco.
Inesperadamente, à medida que o Joriki progride, o desconforto deixa de ser um
empecilho ao Zazen e começa a se tornar um amigo. Sentado em sua companhia,
podemos combater a "barreira" colocada pela mente contra uma posterior irritação
física. Começamos a notar quanta miséria e tensão associamos à dor física que não
resulta da dor em si, mas de nossa atitude em relação a ela. (A mesma coisa acontece
com a dor mental. Assim que deixamos de rejeitá-la como uma experiência,
permitindo que apareça e desapareça como qualquer outra, cessa de ser um
problema.) Esta idéia de a dor ser uma amiga pode parecer masoquista, mas, na rea-
lidade, não é. Não persistimos no doloroso Zazen apenas para o seu bem, mas porque
queremos descobrir até que ponto as limitações que normalmente colocamos em nossa

Similer Documents